quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Crianças ... esses déspotas !


Tendo dois filhos, não é dificil nem pouco frequente dar comigo a pensar em crianças; pensa-se ainda mais quando todos os amigos, irmãs e cunhadas têm filhos da mesma idade.


Numa recente conversa com um amigo, realizei quão diferentes são as crianças de hoje, com um acesso ilimitado à informação, têm o privilégio de ter todos os instrumentos do saber e do conhecimento ali... à mão de semear.


Nos países ocidentais, as crianças e adolescentes têm (em termos teóricos) um nível de vida incomparavelmente melhor do que há uns anos atrás ! No entanto tornaram-se uns ditadores !


No período de vida relativo à infancia e pré-adolescência, longe da relativização da maturidade, é muito fácil ser profundamente maniqueísta.


Tudo parece ser certo ou errado; branco ou preto. Crescer envolve perceber que existe uma grande "variedade de cinzas entre o branco e o preto".Mas os pequenos ditadores não percebem isso, e o que é pior, tem uma concepção distorcida do mundo como um grande mercado onde as pratelereiras estão repletas de opções para si mesmos, imaginando-se o centro e o motivo da existência da humanidade, que parece - sempre - dever algo aos pequenos reis.


O resultado é profundamente assustador. Não tenho uma interpretação ingénua e romântica de um modelo antigo de família, e penso que - apesar de considerar o modelo familiar tradicional o mais equilibrado - não o considero como o único capaz de servir de base cabal para o desenvolvimento integral das crianças. No entanto, parece que os pais, tios, avós e demais familiares na ânsia de querer dar voz às criancinhas, como que "vingando-se de infancias reprimidas, vividas sob o jugo de adultos repressores" esforçam-se para oferecer uma nova forma de estabelecer relações. Acrescentando o facto de que, incapazes de cultivar relações afectivas capazes e sustentadas, os adultos tentam compensar essa lacuna através do verbo DAR.


Mas parece que o tiro saiu pela culatra. Habituados a receber sem fim, dotados de uma visão simplista de mundo dividido entre Bem vs Mal, imbuídos da concepção de que o mundo é feito para eles, as crianças tornam-se ditadores frios e crueis. Convencidos de uma ideia perversa de que foram ludibriados e de que os adultos estão sempre em débito e em falta para com eles, os jovens ditadores crêem que nada devem a ninguém: são sempre aqueles que recebem. O pequeno ditador não parece capaz de ver o que recebeu, porque está muito ocupado cultivando as suas exigências ininterruptas e egocêntricas.


Mas as crianças são - tão só - aquilo que nós (familias e sociedade) fazemos delas.


Todos sabemos que é mais fácil "deixar andar" do que educar, todos sabemos que é mais fácil deixar andar de chucha até aos 7 anos do que "aturar" birras que nos roubam horas preciosas de sono; é mais facil deixa-los adormecer no sofá a qualquer hora do que ter de convencê-los, noite após noite, de que deverão ir para a cama às 9h30; é mais fácil não nos chatearmos com o seu comportamento do que estar permanentemente a educá-los e a ensinar como as coisas funcionam em sociedade; pois é... é sempre mais fácil não fazer do que fazer !


Há umas semanas via, comovido, uma reportagem sobre crianças "institucionalizadas", daquelas que - já com mais de 10 anos - ninguém quer (ou pode) adoptar... e óbviamente observei que o que essas crianças mais queriam era amor, atenção e carinho ! Não vi nenhuma afirmar que queria calças XPTO ou playstations... Carinho e atenção!


Educar é isso mesmo, e as crianças não pediram para nascer, cabe-nos a nós educá-las, sem repressão mas dando-lhes limites; sem incutir medo, mas dando-lhes a noção de respeito; sem as subjugar, mas ensinando-lhes disciplina... tudo isto é amor e deverá ser feito com extremo carinho e dedicação, pois são estas as armas que terão no futuro !


Temo pela sociedade que virá, com esses pequenos déspotas egoístas.


Se não combatermos esse egocêntrismo perverso e dictatorial das crianças de hoje, no futuro, só nos restará limpar o traseiro desses jovens imperadores sem autonomia que - fruto da sua (falta de) educação - não serão mais do que um empecilho social... sem objectivos nem força de progresso ! Recuso-me a condenar os meus filhos a esse cenário !

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Europa amiga !



O Banco Central Europeu (BCE) decidiu não mexer na sua taxa de juro de referência, tal como era esperado, mantendo-a em mínimos históricos pelo sétimo mês consecutivo.


A taxa de juro de referência do BCE encontra-se em 1% desde o passado dia sete de Maio, o que corresponde ao valor mais baixo de sempre.O mercado não esperava qualquer alteração no preço do dinheiro na zona euro, estimando os peritos que o BCE só deve subir os juros no quarto trimestre de 2010.


Na conferência de imprensa que se seguiu à reunião, o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, reiterou que a "recuperação está a continuar a melhorar", embora ainda exista um "elevado nível de incerteza".
Trichet notou que muitos factores que suportam a recuperação são "temporários", devendo a economia crescer "a um ritmo moderado em 2010" e a um ritmo "irregular".


Mais uma vez, o Sr Trichet adopta uma postura conservadora face ao valor do dinheiro numa europa a braços com a competitividade internacional, onde tem de competir com economias mais "desempoeiradas" como a Norte-mericana e a Japonesa, ambas com taxas de juro de referência muito perto do 0%.


Sem bem que taxas tão baixas enviam sinais "obtusos" aos actores económicos, o que é certo é que a Europa compete a nível internacional com países cujo dinheiro é muito mais barato. Ficamos, inevitavelmente, a pensar - mais uma vez - no que é que o Sr Trichet está a pensar... será que não baixa a taxa de referência para poder "vender mais caro" os pacotes de apoio à liquidez dos sistemas financeiros europeus ? Será que pretende manter uma certa estabilidade e não deixar derrapar a inflação? São muitas e variadas as respotas possíveis; o certo é que Portugal... aqui no nosso canto, mais uma vez anda a reboque de tudo isto. Somos vitimas da crise, e temos um ritmos de recuperação muito mais lento que o resto da europa, pelo que o fim previsto das medidas de apoio vai, mais uma vez, apanhar-nos em contra-ciclo.


O governo de José Socrates negou ir aumentar os impostos, apesar das afirmações do governador do Banco de Portugal, o certo é que um governo incapaz de controlar a despesa, vê nos impostos uma fonte facil de receitas. Mas um eventual aumento de impostos só iria agravar a, já débil, situação financeira do tecido empresarial nacional e das próprias familias. Por outro lado, não aumentando os impostos e sem que a produtividade e competitividade do país aumente, dificilmente o Estado terá recursos para facer face às suas obrigações sociais, às quais se acrescentam todos os "pacotes anti-crise"... para continuar em frente terá, inevitavelmente, de aumentar o deficit... e esse é pago ao preço do Sr.Trichet.


Parece um beco sem saída... talvez o seja, e o tratado de Lisboa se, por um lado, veio fortalecer o conceito Europa, por outro dá um passo significativo no atenuar das autonomias de decisão nacionais dos países membros.


A uníca saída é uma resposta nacional vigorosa da nossa sociedade em termos de produtividade e de mentalidade, pela inovação e pela descoberta de novos mercados. Infelizmente não me parece que estejamos muito inclinados para aí... espero - honestamente - enganar-me redondamente !

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Professores


Novo governo, vida nova!


Mais uma vez, cá estamos nós a assistir a um novo debate sobre a avaliação dos professores. Num novo modelo, num novo conceito, com outras caras e outro tom.


Sou claramente favoravel a uma avaliação rigorosa do desempenho dos professores. Mas considero essencial que a mesma seja, em primeiro lugar, externa e, em segundo lugar, tem de ter em conta, essencialmente, o trabalho na sala de aula e a avaliação e o sucesso dos alunos, não confundindo sucesso com as notas dadas pelos professores.


Com efeito, devia caber ao inspector/avaliador externo assistir a aulas, analisar as planificações, os testes e os resultados dos testes e aferir da adequação das aulas, das estratégias e da avaliação levada a cabo pelo professor relativamente às turmas e aos alunos em concreto.


A avaliação externa assume uma importância vital por duas razões: por um lado é a única forma de credibilizar a própria avaliação, impedindo que rivalidades, inimizades e desconfianças, inerentes a toda a relação de proximidade entre os professore, interfiram no processo; por outro lado, para que os professores não se dispersem ainda mais em burocracias, afastando-os da sua verdadeira função que é ensinar.


Com um sistema externo, o governo criaria um organismo de avaliação com inspectores destacados para o efeito e com reconhecida competência.Só que aquilo que o Governo parece pretender é apenas poupar dinheiro e domesticar os professores. O resto é conversa para enganar tolos.


Além de tudo o mais, o sistema de ensino sofre de "doenças" muito mais graves e que necessitam de intervenção muito mais urgente, como é o baixissimo grau de exigência dos curricula escolares, a falta de autoridade dos professores, a ausência de soberania disciplinar das escolas... enfim, a "pobreza" generalizada a que sistemática e paulatinamente os sucessivos governos têm votado o sistema de ensino. Para o tornar mais abrangente, fê-lo permissivo; para o tornar mais bem sucedido, fê-lo negligente; para o tornar mais democrático, desautorizou-o !

Os resultados estão à vista e não é por - estatisticamente - termos mais uns milhares com o 12º ano (novas oportunidades...?) com base em curricula de um gritante vazio de conteudos, não é por darmos computadores magalhães que ficam para sempre guardados em casa das crianças para servir de "plataforma de jogos", quanto muito ... que estamos mais escolarizados ou alfabetizados.


É bom que o novo sistema de avaliação de professores que saia da nova assembleia, seja um que premeie a competência e o rigor lectivo; seja um que promova a exigência, o rigor e o trabalho e que leve as escolas e os professores a fazerem - DE FACTO - aquilo que estão lá para fazer : Ensinar e formar pessoas para a vida !

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Homo-Casamento


O programa eleitoral do governo de José Sócrates prevê a legalização do casamento homossexual que, segundo a promessa feita, será aprovado até ao final do ano.


É sabido que o conceito de família Judaica que deu origem à Família Cristã, está numa crise profunda, eventualmente sem retorno no conceito tal como o conhecemos.


Embora considere que o casamento entre seres do mesmo sexo ou com tendências idênticas não faz qualquer sentido, esta posição não a tenho como radical e levanta-me um problema de consciência. Sendo os homossexuais cidadãos de plenos direitos, e deveres, em todas as áreas da sua cidadania, porque razão deverá ser-lhes negado o reconhecimento legal de uma união?


Claro que a situação terá de ter contornos e definições muito concretas, nomeadamente relativamente aos filhos (adoptados ou não...), por outro lado somos levados a pensar que se trata de mais uma hipocrisia legal, pois actualmente há inúmeros casais homossexuais com filhos de anteriores uniões heterosexuais, há casais homossexuais que terão filhos adoptados por um deles... enfim, ninguém nem nenhuma instituição se opõe, mas também não reconhece. É mais uma daquelas "cinzentices" lusitanas !


Um referendo sobre o assunto também não é a decisão certa para resolver este problema. Seria uma solução de cariz errado, dado que a maioria dos partidos de esquerda (com maioria no parlamento) incluía este assunto nos seus programas... o que também, por outro lado não é um argumento muito válido, dado que as pessoas votam no programa por inteiro, podendo discordar pontualmente de alguns assuntos sem que isso seja suficientemente forte para as fazer mudar de voto.


Em termos laicos, penso que a melhor resolução legal seria um Contrato Natural de União. Nesse contrato seriam apostos todos os itens referentes ao acto. Em caso de rompimento do contrato seria a lei geral a resolver o assunto. Esta seria a prática burocrática, relativa a uma simples união de dois Seres, mas claro ... não seria a mesma coisa.


Quanto mais se discutir sobre o tema, mais complexo o mesmo se tornará, pelo que gostaria de ver uma lei simples e descomplicada ser aprovada sobre o assunto ... e, finalmente, virarmos a página, porque o país tem mais com que se preocupar. O casamento homossexual diz respeito, essencialmente, aos homossexuais... e ponto final ! Ninguém obrigará ninguém a casar com outra pessoa do mesmo sexo ...


Trata-se aqui, essencialmente, de reconhecer socialmente e sem reservas a homossexualidade. Honestamente não me choca! É algo que existe, faz parte da sociedade; são pessoas com sentimentos que querem ver as suas uniões legalizadas e reconhecidas... Acho bem !


Só quero ver o que é que esta mesma sociedade irá dizer quando pessoas quiserem legalizar uniões poligâmicas com base nos mesmos argumentos... Ah pois...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Lobo desapareceu...



É com enorme pesar e sentido de perda que este blog informa que morreu, neste sábado (31.10.2009) o radialista António Sérgio, vítima de problemas cardíacos.


Ficou conhecido com programas como «Som da Frente», «Lança-Chamas» ou «A Hora do Lobo».


Com 59 anos António Sérgio fazia actualmente o programa «Viriato 25» na Rádio Radar. O «mestre da rádio», como lhe chamou Luís Montez, dono da Radar, começou na Rádio renascença em 1968 e esteve mais de 40 anos em antena.A voz mítica de António Sérgio foi a protagonista de programas como «Som da Frente», «Lança-Chamas» ou «A Hora do Lobo» mas ao trabalho da rádio juntou também um percurso de produtor e editor discográfico.António Sérgio é unanimemente reconhecido como "o maior divulgador da música da frente" dos anos 70 e 80 em Portugal, através de programas que marcaram gerações e abriram o país à música mais vanguardista então produzida.


Um marco incontornável para quem gosta de musica alternativa, António Sergio foi um dos principais responsáveis pela (boa) formação musical de milhares de pessoas que, como eu, paravam tudo para ouvir o "Som da Frente" e, mais tarde, a "Hora do Lobo".


Dono de uma voz poderosa e inimitável, António Sergio teve uma brilhante carreira de 40 anos na rádio, meio onde nem sempre lhe deram o devido valor, tendo sido "cilindrado" pela cultura das Playlists nas rádios nacionais, mas - como verdadeiro LOBO - sempre se manteve fiel aos seus principios divulgadores de musica de qualidade tendo terminado a sua vida na Radio Radar com o programa "Viriato 25"...


Sou, sempre fui, um fã de António Sérgio e sempre lamentei o facto de vivermos num país que não sabe dar o devido valor a pessoas excepcionais como ele...


Formou, quanto mais não fosse pela sua influência, muitos dos melhores radialistas portugueses da actualidade e afirmou-se como um ícone da musica independente e dos programas de autor na rádio portuguesa, à semelhança de John Peel da BBC, António Sergio foi maior ... mais inteligente e com uma voz mais marcante... só não viveu em Inglaterra e nem tranalhou na BBC.


Bem hajas António Sergio, obrigado por todas as magníficas horas de música e formação musical que nos deste e que continues a animar as pradarias de onde quer que estejas !

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Mais Gripe !


Vacinação arranca hoje com 54 mil doses de vacinas.


A primeira fase de vacinação contra a gripe A em Portugal arranca hoje, dia 26 de Outubro, com 54 mil doses de vacina. A meta do Governo é ter no final do ano meio milhão de portugueses imune à pandemia deste século.


Em 2010, serão imunizados os restantes dois milhões e meio previstos. Entretanto, é tempo de tirar as dúvidas sobre a vacina.


Portugal adquiriu seis milhões de doses de vacina contra a gripe A (H1N1) para a vacinação de 30 por cento da população residente, embora essa percentagem possa vir a ser maior, uma vez que a dose infantil é metade da dose de adulto.


É sabido que nenhuma vacina é, totalmente, desprovida de riscos, no entanto a questão fundamental persiste : Será mesmo necessária esta vacina ?


Não querendo incorrer no argumento fácil de mais uma "teoria de conspiração", afirmando que a "invenção" da Gripe A e do H1N1 é mais uma forma das grandes farmaceuticas ganharem dinheiro com as vacinas e remédios associados, sou levado a pensar na espiral de inoculações em que a nossa sociedade entrou, não permitindo - por um lado - que o nosso organismo crie resistências naturais, enquanto - por outro - "força" os vírus a criar mutações constantes para superarem os anticorpos, tornando-se cada vez mais complexos e resistentes.


Vivemos, cada vez mais, num mundo esterilizado, sem sal e sem côdea, num mundo onde tendemos a controlar tudo... até os vírus.


Parece-me, e há milhões de pessoas que partilham a mesma opinião, que a Gripe A não tem efeitos de maior em pessoas saudáveis... não passará de mais uma gripe com sintomas ligeiramente distintos. A gripe sazonal mata, todos os anos, milhares de pessoas, pessoas debilitadas, com doenças respiratórias, com idade avançada, etc... são, exactamente, as mesmas que serão atingidas, maioritariamente, pelo virus H1N1. Parece que a diferença entre a gripe sazonal e a A não é muito grande. No entanto, a humanidade mergulhou numa histeria colectiva de inoculação, recorrendo a uma vacina da qual ainda ninguém conhece os efeitos secundários, da qual ainda ninguém (isento) pode afirmar que tem um saldo positivo na relação "custo"/beneficio.


Há, a acrescentar, sinais preocupantes, como o facto do governo alemão e o seu exercito terem reservado uma vacina diferente da que será administrada ao resto da população, tal como o número, surpreendentemente, elevado de profissionais de saúde em todo o mundo que se recusam a tomar a vacina.


Sinceramente, considero um absurdo esta loucura colectiva de vacinar todos contra tudo... é uma batalha perdida à partida e é uma batalha que, paulatinamente, vai retirando armas ao nosso bem desenhado organismo!


Recentemente, foi divulgada uma hipotética ligação entre a vacina contra a gripe A (H1N1) e uma rara e grave doença neurológica, a síndrome de Guillain-Barré. Questionado recentemente por um jornal diário, o presidente da Associação Portuguesa dos Médicos de Saúde Pública, Mário Jorge Rêgo, admitiu que «as vacinas não estão isentas de riscos», adiantando que quase todas as vacinas e infecções podem causar essa síndrome, embora seja raro.


Estamos a ficar cada vez mais frágeis enquanto espécie natural, as nossas crianças são tratadas como doentes, mesmo que não o sejam, e é-lhes - frequantemente - negado o direito de brincar livremente na rua e com alguns brinquedos, em nome de uma saúde e higiene perfeitamente disparatadas.


Ainda temos direito de opção nesta vacina, pelo que pensemos bem antes de darmos mais um passo importante para a nossa saúde, pensemos bem e analisemos se o custo para a nossa saúde de tomarmos esta, mais uma, vacina, não é superior ao - hipotético - benefício.


Não será melhor "lutar" com um inimigo conhecido do que ter de recorrer a "armas" desconhecidas e cujas consequências ainda são, em parte, um mistério ?

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Saramago, Saramago...


Foi com algumas reticências que me decidi a comentar as últimas declarações do nosso Prémio Nobel a respeito da Bíblia, aquando do lançamento da sua última obra "Caím".


Algumas reticências porque acho que tudo isto não passa de uma vulgar manobra publicitária para arranjar mais fregueses para o livro, assim - enquanto falamos disto - estamos a ser parte activa nessa mesma manobra publicitária... No entanto, o assunto é tão badalado, que este blog não poderia deixar passar a ocasião !


Pronto, tenhamos em consideração que o Sr.Saramago já é velhote; é velhote mas não está "gágá" e sabe perfeitamente as repercussões que uma situação destas tem. É, de facto, um modo fácil, barato e expedito de atrair atenção... pega-se em algo sagrado para milhões de pessoas em todo o mundo e utiliza-se a nossa notoriedade pública, porque já ganhámos um ´"Nobelzito", para desatar a ofender toda a gente ! Garantido ! É ver os "predadores" dos media a divulgar as declarações bombásticas e toda a gente a comentar ! ... e o livrito a vender ! Ah pois, porque quem quer saber o que diz, com alguma propriedade, tem de ler para depois poder falar com conhecimento de causa ! Eu, pessoalmente, não tenciono ler e o que aqui se comenta são as observações do escritor relativamente à Bíblia e, acima de tudo, a atitude de alguém que se devia dar ao respeito; não só pela sua provecta idade, como também pela projecção que o facto de ser um premiado com um Nobel lhe dá !


A notoriedade pública acarreta uma responsabilidade acrescida, mas o Sr Saramago fez de tudo isso tábua rasa e usou essa mesma notoriedade como veículo para a ofensa fácil e despudorada.


Não se trata aqui de liberdade de expressão, como defendeu o poeta-(ex) deputado Manuel Alegre, alegando que "era só o que faltava" o Sr Saramago não poder dizer o que pensa... o que faltava - e falta - era mesmo o Sr Saramago saber comportar-se à altura da posição de destaque que tem. Não se trata de dizer o que pensa, trata-se sim - na sua essência - de saber dizer o que se pensa e saber pensar o que se diz ! Capacidade que, ao que parece, o Sr Saramago não tem.


Claro que toda a gente pode expressar o que pensa, mas sendo o Sr Saramago a afirmá-lo a coisa assume uma dimensão diferente, tal como a Maitê Proença a dizer mal de Portugal na TV não é o mesmo que um qualquer brasileiro a fazê-lo em privado.


Quer o Sr.Saramago goste ou não, a Bíblia é um livro sagrado para milhões de pessoas em todo o mundo. É uma obra metafórica, que deverá ser lida e analisada no devido contexto histórico-social. Ao ter uma abordagem literal dos textos, ao ofender de forma leviana, o Sr Saramago só se diminui porque revela não ter estatura suficiente para lidar com o assunto de forma digna e só se ridiculariza, porque não tem a capacidade de contextualização esperada de um Nobel da literatura. E nós? Nós lamentamos, e somos dados a condescender... condescendemos porque o senhor já tem uma certa idade, condescendemos porque percebemos que o senhor só quer vender mais uns livritos e condescendemos porque - felizmente - temos mais respeito pela liberdade de pensamento do Sr Saramago do que ele tem pela liberdade de pensamento dos milhões de pessoas que respeitam o sagrado, sendo ou não religiosos, sendo ou não católicos sendo ou não judeus.


É essa uma das grandes virtudes da liberdade, essa mesma liberdade que o Sr Saramago sempre apregoou como bandeira do seu discurso, a liberdade que nos responsabiliza pelo respeito pelos outros e por termos de garantir aos outros a mesma liberdade que queremos para nós.


Ele (Saramago) que tanto criticou Sousa Lara por ter censurado o seu livro "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", com estas declarações, faz-nos pensar no que faria ele se tivesse poder politico e decisório !!! Ainda bem que o senhor só escreve !

domingo, 18 de outubro de 2009

MAL AGRADECIDO



No rescaldo do ciclo eleitoral que passou há algo que me incomoda e que é revelador da preversão sistémica em que o nosso sistema político entrou.


Depois das eleições, os candidatos e suas equipas sobem às tribunas para gritar victoria e para agradecer !!! Mas agradecem o quê ?


Agradecem tão exuberantemente que até desconfiamos que, com tanto agradecimento, o que envolve tais victorias não pode ser só mais quatro anos de trabalho árduo em prol do desenvolvimento do concelho.


Afinal porque estão eles tão contentes ? Será por terem mais quatro anos de reuniões de Camara e de Assembleias Municipais ? Mais quatro anos de trabalho extenuante e privação de convivio familiar ? Mais quatro anos a pedinchar verbas ao governo, a discutir orçamentos e a ser chamado de aldrabão? Mais quatro anos de complicadas engenharias para ver onde é que se pode aumentar o nivel de endividamento do municipio ? Cada maluco, sua mania, mas - sinceramente - considero demasiada alegria para tanto sofrimento.


Estou ciente de que não somos um povo frio como os suiços e, é claro, que toda a dinâmica de uma campanha, a existência de adversários, a mobilização dos apoiantes e toda a envolvência politico-eleitoral, desperta em todos um saudável espirito de competição que leva a que - feitas as contas - se grite victoria a plenos pulmões e se reconheçam derrotas ... mas agradecer ?


É que agradecer aos eleitores, é agradecer um presente, a excitação é tanta que - em certos casos - só falta esfregar as mãozinhas de tanta impaciência !! Se agradecem, em sinal de educação, só deviam agradecer pelo voto de confiança e reconhecimento dado pelos eleitores, deveriam agradecer o seu apoio para mais um longo e penoso mandato de sacrificios em nome do povo que os elegeu... agora... agradecer pelas victorias ... senhores políticos, "cheira a esturro" e não fica bem !


É aqui. precisamente, que toda a lógica se inverte; Um candidato (e sua equipa) dever-se-ía candidatar com um espirito de serviço e de missão, dever-se-ia candidatar sem mais nenhuma intenção se não a de promover o desenvolvimento da sua autarquia ... mas isso é só trabalho e muito ! Nem sequer é um trabalho expedito... as verbas são escassas, os orçamentos discutidos, as obras são demoradas, o tribunal de contas é pormenorizado, os fundos europeus são dificeis... depois ainda há os organismos nacionais que "metem o nariz" em tudo, a oposição que "inventa histórias", a Dª Ermengarda que se queixa do buraco no passeio quando o eleito está a tomar café com a familia ao domingo... as inaugurações, as demolições as reuniões e as recepções !!!


Agradecer ?


Saberemos reconhecer um candidato sério, ciente da sua missão e dedicado ao seu dever, quando no discurso de victoria for humilde para só agradecer o apoio e se for deitar cedo porque no dia seguinte tem um longo dia de trabalho à sua espera ! Conhece algum ?

terça-feira, 13 de outubro de 2009

BARROTE NELES !


Fomos hoje surpreendidos por um video que circula na net ( http://www.youtube.com/watch?v=QnrVZkKOOt0 ) de um excerto de um programa da Rede Globo (GNT) entitulado Saia Justa onde podemos ver uma "reportagem" da actriz Maitê Proença a comentar uma visita a Portugal !


O conteúdo é, obviamente, ofensivo, boçal e despropositado mas diz tudo não só da senhora Maitê como também das suas amiguinhas em estudio no Brasil. Mas também diz tudo da (ir)responsabilidade editorial da Rede Globo, a TV a quem Portugal compra telenovelas a metro.


Tudo isto não passaria de mais um insignificante fait divers que não mereceria qualquer comentário se não fosse feito por uma actriz de renome internacional à procura de protagonismo barato e posto no ar por um canal da rede Globo. Mas não me parece ser este o verdadeiro assunto, o verdadeiro assunto é a tal senhora, as suas colegas e a estação de televisão acharem que isto pode ser feito sem que haja qualquer problema ...


É óbvio que a senhora é ignorante, palerma e mal-educada, é claro que as suas coleguinhas são tão apalermadas como ela e é certo que a TV Globo é profundamente irresponsável; o que já não é nem óbvio, nem claro, nem certo é isto poder ser feito sem consequências.


Sinceramente, não sei qual a razão de uma anormalidade destas só vir a lume dois anos depois da sua emissão, dois anos depois dessa senhora andar a ser publicitada em peças de teatro, em livrarias, etc... o que sei é que se, mais uma vez, os nossos brandos costumes nos levarem a não reagir e não nos indignarmos porque "Ah ... nem vale a pena ligar..." ou " é de uma tal falta de nível que nem comentamos..." damos razão a tudo o dizem de nós.


Chega de sermos pretenciosamente cheios de nível e superiores e ir deixando que nos pisem e nos maltratem. Paremos de ignorar quem de nós goza e ridiculariza e ripostemos fortemente com legitima indignação. Não contra o povo brasileiro, óbviamente, mas contra qualquer um (brasileiro, inglês, chinês...) que tenha o pejo de dizer mal de nós !


Espero que esta sim, seja uma notícia despropositadamente ampolada pelos media e que se crie uma onda de indignação nacional para que toda a gente se comece a aperceber que não se pode ir dizendo o que se quer de nós e ficar tudo na mesma ! Sim... não se trata da comum Juráci, empregada de limpeza do predio do lado, que disse isto. Foi uma actriz conhecida, de renome, com caracteristicas de opinion maker, trata-se de um programa leviano que se permite a estas liberdades e trata-se de uma estação de televisão irresponsável sem o mínimo sentido de respeito. Trata-se de um grupo de gentinha que tem de ser posta no seu devido lugar !


Sempre fomos os bonzinhos que tratamos toda a gente bem. Acredito em acolher bem quem nos respeita e quem cá está, ou cá vem, com bons intuitos... mas sou igualmente a favor de sermos implacáveis para com quem nos prejudica, seja em que medida for !


Como se dizia na minha juventude: "Barrote neles !" e interpretem o barrote como quiserem !


PS : A propósito do video; na parte passada em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, os "pinheirinhos" ali em frente não são "pinheirinhos", são ciprestes (Cupressus Semprevires) ! E já agora alguém me sabe dizer o que é que a senhora está a cuspir para a água do fontanário ?

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Mais um ciclo que começa.


Agora, contados que estão os votos das eleições autárquicas, constatam-se 52 alterações partidárias na gestão autárquica ao nível das Câmaras Municipais, tendo sido reduzida de 49 para 7 a diferença do número de Municípios liderados pelos 2 maiores partidos, PS e PSD. O PS foi o grande vencedor deste ciclo eleitoral… porque nas eleições europeias, tendo ficado em 2º lugar, a diferença de votos não é, de facto, substantiva, designadamente, se pensarmos na motivação dos eleitores e na taxa de abstenção… No que às autarquicas diz respeito, volta a ganhar o PS com mais 20 Câmaras eleitas e o maior número de votos… Quem perdeu foi, mesmo, o PSD que, apesar da vitória das europeias, teve uma fraca votação nacional nas legislativas e perde 19 Câmaras Municipais.


É este resumo/análise matemática, crua e dura que se pode fazer deste ciclo eleitoral e no bailado dos comentários e dos comentadores e analistas políticos verificamos que o enfoque partidário continua a ser forte.


Se por um lado podemos afirmar com convicção que (com excepção das grandes Camaras Municipais) os votos são dados aos candidatos, explicando os resultados como os de Macário Correia em Faro, tendo o PSD perdido Tavira e o de Isaltino Morais que, sem apoio partidário e a braços com a justiça, arranca uma folgada victória em Oeiras; por outro lado assiste-se à derrota devastadora de Fátima Felgueiras que, sem a máquina partidária atrás de si, perde descaradamente as eleições.


Desde que foi tornada possível a eleição de candidatos independentes, pensou-se que - dado o carácter de proximidade entre eleitos e eleitores - as candidaturas independentes iriam proliferar nas autarquias mas, incrivelmente, nada disso se passou. Assistiu-se mesmo, a um ténue número de canditaturas independentes e, salvo raras e explicáveis excepções, os resultados de candidaturas independentes têm uma expressão residual no panorama autárquico nacional.


Assim, a conclusão que se pode retirar é que, apesar de nas autarquias e freguesias a proximidade e conhecimento (muitas vezes pessoal) dos candidatos ser decisiva na decisão de voto dos eleitores, baseando - tantas vezes - essa mesma decisão mais em factores de carácter do que de competência ou de conteúdo programático... apesar disto, o cunho partidário continua a ter uma importância decisiva na política autarquica. E tem-no por várias razões: Pela máquina de propaganda que disponibiliza aos candidatos, pelo efeito galvanizador que a "marca" dos partidos desenvolve, como também pelo efeito de pertença nacional que faz com que a victoria de um cadidato da freguesia mais recondita do país, seja mais uma victoria do partido a que pertence contribuindo, deste modo, para a estatística nacional.


Quando os líderes partidarios sobem ao palanque para efectuar os seus discursos de análise dos resultados, todos sabem que a victoria ou derrota está muito ligada à individualidade de cada autarca, mas sabem também que a máquina partidária, e aquilo que isso representa, continua a ter uma importância decisiva na escolha do voto.


Continuamos a ter um sistema político partidarizado, apesar de vazio de ideais diferenciadores; continuamos a olhar mais para os partidos como um valor absoluto, esquecendo-nos daquilo que representam; continuamos a reparar mais nas cores do que nos conteúdos ...


Se assim é, aceitemos que somos assim e lidemos com isso! Acabado mais um ciclo eleitoral é neste panorama que teremos de viver por mais uns anos... unamo-nos, cerremos fileiras e atiremo-nos ao futuro com unhas e dentes, porque - ao contrário da selecção nacional de futebol em fase de apuramento para o mundial - SÓ DEPENDEMOS DE NÓS ... por isso, venham eles !

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Sempre Nós !


Nas últimas semanas temos assistido aos relatos de sismos e maremotos em vários países asiáticos, assim como temos visto o rasto de destruição e drama provocados por estas catástrofes naturais.


Se bem que a Indonésia e países quejandos sejam particularmente propensos a fenómenos desta natureza, e por incrivel que possa parecer, a possibilidade de uma ocorrência com esta magnitude cá em Portugal é enorme.


Mas e o que fazemos nós ? Por muito insólito que tudo isto possa parecer ... não fazemos rigorosamente NADA ! Ficamos estupidificados (como é hábito) a olhar para as notícias e descansamos na ilusória poltrona da distância, suspirando por estarmos a ver imagens do outro lado do mundo... mas o mundo é só um ... e é redondo... e tem falhas tectónicas e uma delas (daquelas bem grandes) passa mesmo aqui por baixo !!!


À semelhança de tudo o resto, como as inundações, os incêndios florestais, os atentados, etc... nunca nos preparamos para nada ! E as coisas vão acontecendo. À excepção dos atentados que, desde a extinção das FP25 não dão um ar da sua graça, tudo o resto tem acontecido, todos os anos... e todos os anos sofremos desastres imensos sem que nos preparemos para o ano seguinte... para que minimizemos o estrago ou, mesmo, o evitemos.


Mas com os sismos não são só uns "pinheiritos" a arder, nem uns "carritos" submersos em garagens de prédios... não! com os sismos "é a doer" e um dia quando acontecer (sim... porque vai acontecer!) vai ser uma desgraça, vamos andar todos como "baratas tontas" nas empresas, nas escolas, nas organizações, nas ruas, nas cidades, nas estradas ... vamos espezinhar-nos uns aos outros porque não saberemos o que fazer, assistiremos a violência indescriminada e a pilhagens descontroladas porque as forças de segurança não saberão o que fazer nem estarão treinadas para nada, far-se-ão planos de emergência em cima do joelho porque certamente não tivemos tempo antes, perderemos familiares e amigos só porque nada está organizado ou preparado, demoraremos décadas a recuperar de tudo, enterrando ainda mais a nossa decrépita situação e por fim... por fim evocaremos o mais puro sentimento lusitano e amaldiçoaremos todos os responsáveis e esquecer-nos-emos que fomos nós que os elegemos, fomos nós que nos abstivemos e fomos nós que, também, não quisemos saber !


Mais uma vez, não são ELES (os incompetentes) governantes, não são ELES (os inoperantes) da Protecção Civil, não são ELES (os lascivos) da policia ou do exército os RESPONSÁVEIS. Não é a ELES (aos malaios) ou a ELES (os indonésios) ou aos OUTROS (os japoneses) a quem só isto acontece !


É a NÓS !


Somos NÓS que nos devemos preocupar com tudo isto, com os planos de emergência nas escolas, nas empresas e nas famílias, somos NÓS que através da nossa organização civil devemos demonstrar que falta as entidades oficiais proceder em conformidade para "fechar o círculo", somos NÓS que devemos demonstrar cuidado e preocupação para que os responsáveis políticos sejam forçados a organizar os planos de contigência nacional.


Somos sempre NÓS, porque um dia quando acontecer, seremos NÓS que assistiremos à destruição; seremos NÓS que perderemos para sempre pais, filhos, familiares e amigos; seremos NÓS que ficaremos sem emprego e sem subsistência; seremos NÓS que teremos de viver num país devastado e dependente das ajudas internacionais... seremos NÓS ! Somos SEMPRE NÓS !


sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Portuguesices!


Hoje recebi um email de uma empresa de renome que anunciava a implementação da sua nova plantaforma (???) informática.


Irra, que já aborrece ! É raro o dia em que não nos cruzamos com uma daquelas "calinadas" de Português que até faz com que paremos e voltemos para trás para nos certificarmos de que é mesmo real !!! É deplorável e triste a forma como tratamos a nossa querida e rica língua; é tão triste quanto frequente, e o problema torna-se exponêncialmente mais grave quanto o facto de cada vez repararmos menos ... é sabido e aceite que a frequência dos acontecimentos diminui o seu interesse e relevância, mas com erros de linguagem isso - simplesmente - não se aplica !


Não é por toda a gente dizer asneiras que a asneira deixa de o ser.


Aceitemos que o Português é uma língua viva e dinâmica, mas esse facto não valida a bacorada do Sr Ministro que diz que a sua equipa está "melhor preparada" para os desafios, quando deveria era estar MAIS BEM preparada para aquilo que diz em público ! Não valida a mamã que pergunta ao filho : "Gostastes" do almoço da mamã ? Quando deveria era perceber porque é que a sua mamã (avó do menino, e aluna no tempo em que, de facto, se ensinava nas escolas ...) lhe perguntava ao fim de cada dia : Então, gostaste das aulas ?.


Para além de tudo o mais e de todos os problemas profundos do ensino nacional, a falta de cuidado que é posta em tudo o que é escrito e em como se fala, é gritante ! Porque o Português não é só MAIS UMA disciplina, Português é a base de tudo o resto... ninguém pode ser bom aluno a matemática se não conseguir perceber o que lhe é perguntado ou requerido num determinado problema, ninguém pode ser um bom engenheiro se (em exagero) lhe pedem uma ponte e ele faz um aqueduto !!


Os adeptos do funcionalismo linguistico dirão que não interessa como se diz, desde que se diga o que se quer e nos façamos entender... lamento, mas discordo profundamente!


Discordo porque acredito que a lingua é muito mais do que um meio de comunicação, a lingua é a pedra basilar de uma identidade cultural, discordo porque acredito que a riqueza linguistica de um determinado idioma contribui, em muito, para o desenvolvimento da inteligência emocional de quem o usa.


Uma língua sem nuances e significados não é uma lingua, são números ... frios, exactos e precisos... universalmente iguais ! E não é isso que se quer de uma língua, por isso não é - de todo - indiferente a forma como se fala ou como se escreve ! É relevante, é importante e é determinante para que possamos dizer exactamente o que se quer e, acima de tudo, como se quer !


Para além do mais, é patética a forma como pessoas com responsabilidades a nível nacional dizem as maiores alarvidades gramaticais e semânticas sem o menor pingo de preocupação ou de vergonha. É preocupante perceber que a figura de EXEMPLO é algo que não os preocupa.


Mas, também, bem vistas as coisas, porque é que tal facto constituiria preocupação a quem está mais precupado em que os alunos passem de ano em vez de, de facto, aprenderem !
Como diria a Sra Ministra da Educação numa entrevista à SIC:
"(...) Quando os resultados são, por si, maus e houveram (???) fragilidades nos conhecimentos e nas competências, aí está a prova de que o país está mal (...)" .
Ai "houveram", Sra Ministra? Está mal está ! Está muuuuito mal !


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

TANGO ... Patrimonio Mundial ! Fado Português !


O Tango passou ontem a ser Património Imaterial da Humanidade. A decisão da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), tomada durante uma convenção em Abu Dhabi, garante a protecção deste tipo de música e dança da zona do Rio da Prata, na América Latina.


Como resultado de uma candidatura conjunta da Argentina e do Uruguai, a UNESCO premiou este género músical e de dança, ambos os países já apresentaram projectos com investimentos na ordem de 1.000.000,00 USD.


Parabéns à Argentina e Uruguai !


Parece que Portugal anda a preparar uma candidatura semelhante para o Fado... o que é bom ! Mas, mais uma vez, estamos a preparar ...


O Fado para além de ser uma forma músical única, assume-se fortemente como expoente da entidade cultural lusitana que, ao contrário do Tango, não é facilmente assimilado por outras culturas. Não só porque assenta, em muito, na riqueza poética das letras (não falando do "fado vadio"...), como também porque reflecte uma forma única de olhar para a vida, para o quotidiano e de reagir a ambos.


Cada cultura é una e singular, mas a nossa é especial. Esta forma fatalista de ser sem caírmos na desgraça carpideira, esta saudade eterna sem que nos suicidemos em massa, esta dor permanente que nos mata por dentro e nos corrói mas que nunca nos mata ! Isto nunca há-de ser percebido por ninguém no mundo !


A UNESCO poderá "galardoar" o Fado e elevá-lo a Patrimonio Imaterial da Humanidade (esperemos que sim ... um dia !) mas nunca ninguém perceberá o que aquilo é ... ouvirão a música e descortinarão as influências árabes da melodia, perceberão que é triste, aperceber-se-ão da sua força, admirarão a mestria dos instrumentistas a dedilhar a guitarra portuguesa ... mas nunca lhe sentirão a alma.


Por muito orgulho que possamos sentir de tudo isto... asseguro-vos que tal não é coisa boa. Não é coisa boa porque estas caracteristicas de "blindagem cultural" prejudicam a expansão e divulgação da nossa cultura e, consequentemente, a nossa esfera de influência na cena internacional.


Por outro lado, uma eventual candidatura do Fado à UNESCO, infelizmente, não disfarçaria o nosso complexo de inferioridade cultural, o mesmo complexo que nos impede de forçar (sim forçar) a nossa cultura nos sistemas de ensino dos PALOP, o mesmo complexo que permite que França, Africa do Sul, Australia, tenham Centros Culturais avançadissimos e bem equipados em países de Lingua Oficial Portuguesa onde os nossos Centros Cultrurais, mais parecem ginásios (de tão vazios...) e onde mal se consegue encontrar uma edição do semanário Expresso da semana anterior. O mesmo complexo que nos impede de aprender com os nossos vizinhos espanhóis a forma brilhante como divulgam a sua lingua, literatura e cultura pelo mundo fora através do Instituto Cervantes.


É esse complexo, esse fado (??) que nos encolhe e nos diminui sem razão nenhuma !


Agora, com o despontar de novas abordagens ao fado como Marisa, Mafalda Arnauth, projectos como Amália Hoje, etc... pode ser que agora o orgulho renasça e percamos, definitivamente, a vergonha de ser quem somos e como somos... porque não somos menos que os outros !


Sem rosa na boca mas de xaile às costas, somos nós ... orgulhosamente! Sem complexos.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A Irrelevância Presidêncial


E ali estava o país em suspenso para ouvir o que o Sr Presidente da República tinha para dizer ao país... após 12 minutos à espera que algo acontecesse ... acabou ! Parecia um daqueles filmes forçado a acabar por falta de orçamento...


Com todo o respeito que me merece a pessoa e a instituição do Presidente da República, confesso, que ainda não percebi ao certo ao que se passou ontem.


São muitas as razões que levantam questões sobre tudo o que envolve este happening, desde já - e para começar - não se percebe porque razão o Prof.Cavaco Silva se refere ao Presidente da República na terceira pessoa, mais parecia um jogador de futebol dos anos oitenta! Não se percebe porque é que não fez o que fez ANTES das eleições, ou logo quando a - pertensa - polémica estalou! Não se percebe porque é que se estava tão preocupado com a segurança desde o Verão, só ontem - precisamente - ontem é que ouviu pessoas responsáveis pela segurança !


Vejamos então o que se passou. O PR falou do PR na terceira pessoa porquê ? certamente para que se tudo isto correr muito mal, ele poderá sempre afirmar que não foi ele que disse... foi outro ... e a prova é que até se referiu a si (PR) como O PRESIDENTE DA REPUBLICA ! Inteligente, prudente e avisado !


Não falou antes das eleições pois não queria desviar as atenções do que era importante. Está certo, fê-lo agora, numa altura muito melhor ... quando tudo parecia mais calmo no rescaldo das eleições... toca a agitar e mandar tiros para o ar ... assim o povo não adormece, não se desmotiva, está sempre atento ! Inteligente, competitivo e com sentido de equipa !


Só ontem - precisamente - ontem é que ouviu responsáveis pela segurança. Ontem, passadas semanas de todas as alegadas suspeições acontecerem... lógico, a presidência queria saber quão vulnerável estava o seu sistema informático, numa jogada de mestre deixou tudo como estava para poder - depois - saber exactamente a dimensão do problema... depois de ouvidos os responsáveis pela segurança ficou a saber EXACTAMENTE o que se passava... HÁ vulnerabilidades ! (???)


Uma coisa é certa, mais uma vez o Presidente da República não só confirmou a sua mestria no domínio dos tabus, como fez algo inédito ... falou ao país e simultaneamente manteve o tabu... não esclarecendo rigorosamente nada ! Concordemos que não é para todos !


Nas reacções dos partidos políticos, para além das trivialidades do costume, destaco a primorosa forma como o PS, aproveitando a inexactidão das acusações do PR, virou o discurso a seu favor, chegando mesmo a afirmar que o PR confirmou que nunca o ouviram falar de suspeições de escutas ... e é verdade... o PR disse isso mesmo !


A comunicação do PR ao país sobre o "caso" das escutas é tão ambiguo e vago como inútil para o país e para os portugueses. Ao não chamar "os bois pelos nomes" levanta poeira e deixa tudo como está; ao não tomar nenhuma decisão específica, permite que todos digam que afinal não se passava nada.


Honestamente, esperava mais e esperava melhor.


Para salvar a situação idealizei um cenário retorcido em que o PR, numa hábil manobra política, se servia de uma alegada situação de desconfiança sobre umas - alegadas - escutas para retirar confiança política ao partido mais votado e convidar outros, em coligação, a formar governo !!! Era a revolução... talvez armada, desta vez !

terça-feira, 29 de setembro de 2009

MOTAS ... FINALMENTE !



Mudando, radicalmente, o rumo deste blog ... mas afinal são coisas que nos dão gozo e suscitam o nosso comentário !

Pois é, finalmente a 14 de Agosto de 2009 - e passados dez (10 !!) anos - o parlamento português, através da bancada parlamentar da CDU, fez aprovar a alteração à lei que permite a quem possuir carta de condução de automóvel ligeiro (categoria B) e idade igual ou superior a 25 anos, ou em alternativa habilitação legal para a condução de ciclomotores, conduzir motociclos com cilindrada não superior a 125 cc e uma potência máxima até 11 KW, correspondente a 15 cavalos (categoria A1).

A alteração resulta da Lei n.º 78/2009 de 13 de Agosto, publicada no Diário da República e que assenta na Directiva Comunitária em relação a esta matéria.

No entanto, quem tiver carta de condução de ligeiros, mas uma idade inferior a 25 anos e não disponha de habilitação para condução de ciclomotores, terá obrigatoriamente de se submeter a um exame prático e, como é óbvio, à respectiva aprovação.

Apesar dos habituais e retorcidos contornos legais, o sumo de tudo isto é que o comum dos mortais com carta de carro vai poder andar de mota sem mais preocupações.

Finalmente, e passados dez anos, vamos poder circular nas cidades de modo mais "verde", com uma inferior pégada ecológica, apostando numa incomparável mobilidade...enfim, vamos poder ser mais civilizados.

Certamente que, a partir de agora, andar de mota passará a ser normal e tido como uma opção inteligente ... afinal quem anda de mota não tem de pertencer a um grupo de marginais com barbas compridas, coletes de cabedal e cuspir para o chão !

Tenho a séria esperança que estes novos motociclistas continuem o seu percurso e contribuam para um maior civismo na estrada, para uma maior urbanidade no tratamento a quem anda de mota... espero que ao andar de mota se apercebam das barbaridades (muitas vezes involuntárias...) feitas por quem circula de carro e não se apercebe quão vulnerável está quem anda de mota. Espero que quando voltarem a andar de carro se lembrem do que é estar em cima de uma mota e conduzam com mais respeito.

Claro que a moeda tem sempre dois lados, óbviamente os acidentes vão aumentar com o aumento do número de motas a circular, eventualmente os seguros das motas vão aumentar, eventualmente virão os mesmos afirmar o habitual "eu bem vos disse...", mas o progresso é isto mesmo, é andar para a frente e melhorar.

Andar de mota é bom, é inteligente e é útil para as cidades; saibam os autarcas adaptá-las (as cidades) a esta nova realidade.

E para quem pense que não é cómodo, desengane-se. As scooters, que são os modelos mais procurados em consequência desta nova lei, são tão - ou mais - confortáveis que um carro, gastam pouco mais de 2 Ltrs aos 100 Km, têm uma manutenção barata e ocupam pouco espaço.

Para além das óbvias vantagens de tudo o resto, atente-se somente no baixo impacto ambiental da extrema mobilidade, do baixissimo consumo de combustível e da manutenção acessível ... Anseio por ver cidades com mais motas e bicicletas do que carros... não será um sinal inequívoco de evolução, mas é - certamente - um sinal óbvio de inteligência !





segunda-feira, 28 de setembro de 2009

SOMOS ILUMINADOS ...


Somos um país de iluminados ! Somos iluminados pela bem aventurança e pela capacidade de elegermos políticos que nunca perdem. É já um lugar comum atribuir esta qualidade ao PCP... mas o tempo e o amadurecimento democrático refinou esta magnifica capacidade em todos os outros partidos !

Não deixa de ser impressionante que, analisando os comentários à noite eleitoral de 27.09.2009, sejamos confrontados com um cenário em que todos estão contentes... onde não há derrotados, onde todos tiveram "uma victoria significativa". O PS ganhou porque ganhou as eleições, o PSD perdeu mas reforçou o número de deputados, o CDS-PP (talvez o único verdadeiro vencedor da noite...) passou os 10% e afirmou-se como a terceira força política nacional, o BE aumentou em muito o número de mandatos e auto afirma-se como o único bastião da esquerda (moderna?) do país, a CDU - como sempre - ganhou por várias razões, sendo a mais incontornável o facto de ter obtido mais 30.000 votos do que nas anteriores legislativas !!!

Parabéns a todos e os pêsames aos portugueses por termos de levar com este bando de alucinados ...

Só é pena que os portugueses, em geral conhecidos pelo seu pessimismo, fatalismo e outros "ismos" negativistas, ainda não tenham aprendido com os seus líderes políticos esta lição... seriamos um povo muito mais feliz e contente se soubéssemos ganhar sempre...mesmo quando nos levam tudo em impostos, mesmo quando temos um sistema de saúde que não funciona, uma justiça trôpega e corroída, um sistema fiscal que premeia quem nada faz e prejudica quem trabalha... ao fim de todos estes anos... se todos os políticos conseguiram aprender esta arte, o que nos falta a nós - comuns mortais - para desbravar o caminho do autocontentamento ?

Sejamos contentes e aparvalhados porque, objectivamente, gostamos desta maneira de ser... gostamos tanto que só temos políticos com esta característica.

Haja Luz !

YES WE CAN !



E pronto ! Há uns meses atrás, recusava-me a acreditar que fossemos assim mesmo... recusava-me a aceitar que a nossa inteligência colectiva fosse proporcional ao minúsculo crescimento económico a que este senhor condenou o nosso país. Na minha lamentável ingenuidade idealista, acreditava que, finalmente, haviamos chegado a um estado de maturidade democrática que nos faria saír de casa para votar e mudar o que está mal !

Mas não... não senhor ! Nem saímos de casa, nem - os que sairam - mudaram alguma coisa! É patética esta maneira de ser...

Num outro dia assisti na televisão, numa qualquer entrevista de rua a propósito das eleições, um senhor muito convicto a afirmar que não se demitia da responsabilidade que lhe foi dada pelo 25 de Abril ! Sim senhor, bem falado ! Está em clara minoria ... mas é de homem !

Contudo, e vistas bem as coisas, o próprio 25 de Abril não foi grande coisa ... uma "revoluçãozita" com cravos nas armas... uma revolução que se limitou a dar a estocada final num regime às portas da morte... se não tivesse havido revolução, morria na mesma !

Somos assim, só mudamos o que já está mudado e mantemos o Status Quo até este apodrecer... quando estiver podre... alguém lá vai dar um "piparote" para caír, e pronto... faremos festas e churrascadas e desfilaremos na rua como se soubéssemos que "agora é que é ... agora é que isto vai ser a sério !".

O que niguém se lembra é que a incompetência operacional (que é a patologia de que sofre este senhor...) torna o nosso estado de penúria exponêncialmente pior a cada ano que passa... o que ninguém parece lembrar é que estas coisas não se resolvem sózinhas... se ninguém fizer nada, pioram... se alguém só fizer m**da entraremos numa espiral de decadência que - daqui a uns anos - não haverá revolução que nos safe.

A propósito da notícia aqui reproduzida, comento parafreaseando o que hoje, sabiamente, ouvi da boca de uma amiga... "como podemos nós criticar a reeleição de George Bush, quando acabamos a reeleger Sócrates ?" . OH YES... WE CAN !